terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pela última vez o coelho

como não consegui a foto, pirateei essa na rede

Wonderland

Acordei cedo para fotografar o coelho. Tarde demais. Ou foi recapturado pelo dono, ou devorado pelo cão ou pela coruja, ou simplesmente foi tomar chá com o chapeleiro e a lebre maluca.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sobre o coelho

Trechos de e-mail para M, que escreve coisas novas:

Deus pra mim não existe, aprendi ainda criança. Apesar da família oficial católica, o pai marxista apaixonado. E a mãe insensível aos apelos papais. Ele morreu sem se confessar. Ela tornou-se espírita.

Por falar em deus, comecei a assistir ontem Anticristo, de Lars Von Triers. Não vi quando estreou, eu estava deprimido, era melhor deixar passar ao largo. Lindo e contundente o pedaço que vi. Mas dormi. Depois, pesadelos.

Acordei cedo, peguei a estrada engarrafada. 75 minutos pra andar 35 km. Ouvindo a rádio MEC dessintonizada, o programa Áurea Música. Vivaldi, Musorgski. Nem vi o tempo passar.

Ouvir música é o arremedo de conversar com o deus de M. Me faz sentir apaziguado. Clarice já tinha dito isso.

.....

Um coelho branco, de orelhas rosadas e olhos vermelhos pasta no terreno baldio em frente a porta da minha casa provisória. Coelhão fugido de algum viveiro próximo, coelhão que fatalmente virará comida de cachorro, comida de coruja. Penso no Coelho de Lewis Carroll: é tarde! é tarde! Fecho os olhos e enxergo o buraco onde Alice caiu. Parecido com a toca da raposa, no filme de Triers. O coelhão fica parado do outro lado da cerca, de olho nas couves, nos alfaces, nos tomates-cereja inacessíveis. Contenta-se com o mato esturricado do lote vazio. Morro de curiosidade de saber como ele mantém o pelo tão macio, tão branco, sem um carrapicho,  nessa aridez, nessa poeira, nessa secura do cerrado.

.....

Pouco a dizer. Espreguiçar. Tomar café. Talvez fumar. Cantarolar Cazuza, pedir ao deus de M (!) que me dê paciência e coragem. Alegria para percorrer mais esse dia.

.....

PS: um lindo filme de amor no Cine Brasília. Bertolucci, o Assédio (em inglês: Besieged; em italiano: L'Assedio). Às 19 h.

sábado, 28 de agosto de 2010

imagem publicada na revista eletrônica Nós Fora dos Eixos


"Eu sou uma metralhadora em
estado de Graça
Eu sou a pomba-gira do Absoluto"

(...)
Eu aprendi com Rimbaud
& Nietszche os meus
toques de Inferno
(Anjos de Freud,
sustentai-me!)
& afirmando isto
através dos quartos sem tetos
& amores azuis
eu corro até a colher de espuma fervente
driblando-me no cemitério
faminto da última FOME
com tumbas & amantes cheios de pétalas
porque o céu foi nossa última chance
esta noite". 

(Roberto Piva, Piazzas, anos 80)


Sessão necrológio

Tenho dificuldade com poesia. Acho abstrato demais, vago demais, e, pasmem!, quase sempre chato. Entre meia e uma dúzia de gostos poéticos, bastante heterogêneos, bastante comuns, bastante escolares: Fernando Pessoa, Eugenio de Andrade, o tenebroso Augusto dos Anjos, por aí. E Roberto Piva. Totalmente anos 70. Pop, político, alucinado. O texto arrebatador. Da turma estético-anárquico-dionisíaca de José Agrippino de Paula, Glauco Mattoso, Zé Celso Martinez, etc. Detestava ser chamado de maldito, pois até isso era ser rotulado pela ordem estabelecida. Anti-poeta de gabinete. Pouco reconhecido: Obras Reunidas em 3 volumes, pela Editora Globo. Morreu em julho de 2007. Achei coisas interessantes:


Artigo de João Silvério Trevisan publicado na revista Agulha, # 38 – em abril de 2004

Entrevista a Fabio Weintraub, em 2000, publicada em 2010 na revista Cult nº 34

Entrevista a Floriano Martins, de 1986, publicada na revista Agulha n 53, de 2006

Esqueci de dizer de alguns textos novos-velhos que talvez saiam em breve têm muito a ver com Roberto Piva.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Século XXI me dará razão

O século XXI me dará razão, por abandonar na linguagem & na ação a civilização cristã oriental & ocidental com sua tecnologia de extermínio & ferro-velho, seus computadores de controle, sua moral, seus poeta babosos, seu câncer que-ninguém-descobre-a-causa, seus foguetes nucleares caralhudos, sua explosão demográfica, seus legumes envenenados, seu sindicato policial do crime, seus ministros gângsteres, seus gângsteres ministros, seus partidos de esquerda fascistas, suas mulheres navios-escola, suas fardas vitoriosas, seus cassetetes eletrônicos, sua gripe espanhola, sua ordem unida, sua epidemia suicida, seus literatos sedentários, seus leões-de-chácara da cultura, seus pró-Cuba, anti-Cuba, seus capachos do PC, seus bidês da direita, seus cérebros de água choca, suas mumunhas sempiternas, suas xícaras de chá, seus manuais de estética, sua aldeia global, seu rebanho-que-saca, suas gaiolas, seus jardinzinhos com vidro fumê, seus sonhos paralíticos de televisão, suas cocotas, seus rios cheios de latas de sardinha, suas preces, suas panquecas recheadas com desgosto, suas últimas esperanças, suas tripas, seu luar de agosto, seus chatos, suas cidades embalsamadas, sua tristeza, seus cretinos sorridentes, sua lepra, sua jaula, sua estricnina, seus mares de lama, seus mananciais de desespero.

(Roberto Piva, O Século XXI me dará razão, 1984)

A Coreia é na esquina

Assim não dá meu tesão
eu começo a sonhar com você todas as tardes
& você lá em Santos
comendo amendoim
vendo anjos nas cebolas do mercado
navios entram  & saem do porto polidos
eu corto as veias & rego meu queijo-minas
você me ama eu sei & me envaideço
amoras jorram a beleza anarquista de suas
            coxas molhadas
o peixe-espada pode lhe declarar amor
eu penso nestas ilhas perfumadas
mas o caminho de volta eu só conto
a este urubu em carne viva
que grasna na sacada.

(Roberto Piva, Quizumba, 1983)

Beija-flor badulaque

nus & feéricos / olho no gatilho meia-lua / nado esta manhã a favor
da correnteza / à deriva / no miolo do furacão / eu era uma Sibila
entre os gonzos da linguagem / Samba-Vírus / exus nanicos carregando
cabaças de pedra da Lua no portal do meu ouvido / cruzamento das
avenidas Assassinato & 69 / garoto-pombinha no balcão da lanchonete /
esperando o pernilongo da Morte / estrelas rachadas gotejam leite
dos deuses / é com este que eu vou sambar até a Pradaria Kamikase /
no trecho Belém-Brasília da Teogonia / Verlaine aparece debaixo
do tapete / chá para dois / absinto para dois / Rimbaud para dois /
Gerry Mulligan para um / circo místico do coração-travesti de Jorge
de Lima / boiada estourada sem controle rumo ao estômago de Xangô /
babando arco-íris radioativo / sol na brecha / na fresta /
confetes de cocaína nos salões de Madame Ming / relâmpagos
acompanharam a Visão.

(Roberto Piva, Quizumba, 1983)

Bicho-preguiça

O próprio Bodidarma respondeu

         (...)

Só acredito na geleia genital / ânus solar / azeitona com pimenta &
vinho rosé / batuque malandro na circunferência da cintura / âmbar &
basalto eternizados / ânforas de rubis / sono entre os braços do menino
que me deixa bêbado de Sonho / arca do espírito / polias polissêmicas /
cachaça com angu / fontes minerais & totais / Artaud & Bruno & Trakl
/ fila de meteoros assuntados / veludo dos motores azeitados / minha
flor em 15 dialetos / noite nos meandros da rosa / Bestione / minha mão
vacila / alguém ficou mais ao norte de mim mesmo.

(Roberto Piva, Quizumba, 1983)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Paulo Moura - Espinha de Bacalhau

Foto de antigas eras

Espetáculo SOS BSB, 1980 - Camila, eu (de cabeça empinada), Noé, Marcelo (o partner), Ivelise, David, Ana, Cibele, Pedro e Sophie. A foto provavelmente é de Cristina B.

Paulo Moura e o começo da história

Paulo Moura morreu no dia 04 de julho de 2010. Seus arranjos, seu trumpete, clarineta fizeram parte da minha formação estética, artística e afetiva. Ao som de Pedra da Lua (do LP Confusão Urbana, Suburbana e Rural, de 1976) eu decidi fazer artes cênicas e quase transei pela primeira vez.

1979. Estudando para o vestibular. Me apaixonei por Vera, bailarina. Que não virou minha namorada, mas me levou para a Ensaio Teatro e Dança. Onde me inscrevi na oficina de Dança Livre, coordenada por Ademar Dorneles, bailarino dissidente do Balé Stagium. Ambiente efervescente: SQN 1980 Bloco A, teatro e dança, com cenário de Luiz Áquila, e direção de João Antônio; Graziela Rodrigues ensaiando Graça Bailarina de Jesus, junto com João, Raul de Xangô e Celso Araújo; Maura Baiocchi e Eliana Carneiro aventurando-se o Butoh, Bidô Galvão, Marcelo Ferreira, Ana D’Andrea e tantos outros.

A proposta de Ademar era fazer dançar gente que nunca dançou. Óbvio que já tinha gente experiente no grupo. A trilha do espetáculo SOS Brasília era Villa Lobos, Pattápio Silva e Paulo Moura, quase todo o disco Confusão Urbana. Eu fazia um pas-de-deux erótico. Foi cortado, pois eu não conseguia controlar os hormônios, por baixo da malha fina do balé (compreensível, aos 17 anos) e todo ensaio era aquele vexame.

Eu me apaixonei pelo partner. Fiz poesia, desenhei, mas não rolou. Ademar acabou cortando o “padedê”, por causa da minha incontinência. Estreamos o espetáculo no Galpãozinho, na 508 Sul, depois no Garagem, do Sesc. Apresentamos também em alguns Concerto Cabeças, organizados por Néio Lúcio.

Pouco depois a Ensaio fechou. Ademar e Graziela foram embora de Brasília. Insisti. Passei no vestibular para Artes Cênicas. Com alguns ex-alunos da Ensaio formamos outro grupo, A Trumpe dos Nefelibatas. Que, de certa forma, sobrevive até hoje. Mas é outro revival.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Fotos inéditas da Flip, em Paraty


Cenário para uma futura novela histórica


Leitores potenciais (não dá pra ver direito os micos-leões dourados e as cotias)


Autografando guardanapos


Mesa de debates Off-Flip


Assediado por leitoras


Debatendo a Questão Feminina


Inserido em meu tempo

(Fotos tiradas por Miriam)


Apreensões de Pollyanna moça

Pollyanna Moça me mostrou a entrevista-enxaqueca publicada no blog de Santiago Nazarian em 16/08. Entrei na revista Offline (de e para autores jovens) onde a conversa foi publicada originalmente. Esquisito tudo, a entrevista, a revista virtual. “Quase assustador”, a Pollyanna anotou em seu diário com capa cor-de-rosa e cadeadinho.

Esquisito categorizar a literatura: literatura feminina, literatura gay, literatura engajada, literatura jovem. É redutor, é arbitrário, serve só para facilitar os estudos acadêmicos. Tudo é literatura, independentemente de quem a produz. Imagine: pintura de mulheres? música de esquerda? dança gay? teatro jovem? A pessoa é que se enquadra em tal ou qual nicho, e não aquilo que cria. Santiago N, apesar do tom pedante, respondeu bem. Esquivou-se de apontar diretamente o equívoco.

Depois perguntas sobre a diferença entre a literatura dos anos 90 e a dos anos 2000. Sobre os críticos que se prendem à literatura “pré-anos 60”, estranhamente denominada “modernismo” (existirão mesmo esses críticos? Modernismo não é anterior aos anos 60?). Sobre a falácia (?) dos críticos em afirmar nada de novo ter sido produzido de lá pra cá.

A intenção talvez fosse arrancar do entrevistado uma fala polêmica. Em seu lugar eu teria dito que um crítico que afirme esse tipo de coisa não deve ser levado a sério. A afirmação reforça o preconceito ao invés de romper com ele. Replica o discurso das gerações atuais de todas as gerações anteriores. Santiago N quase cai na armadilha. Afirma que a mudança ocorrida na literatura após os anos 80 ocorreu pelo estreitamento com a cultura pop, a cultura de massa (não seria anos 60?). Mas conserta quando fala de “universalização fragmentada”, de relativização da cultura de massa.

Existem os novos autores, os autores já passados dos 30, os autores velhos, os autores da terceira, da quarta idade. Não quer dizer que um ou outro produz ou deixa de produzir literatura do seu tempo. Aos cinquenta anos eu não escrevo nada que não seja do meu tempo. Espero ser igual aos cem anos.

Pollyanna Moça anotou no diário (capa cor-de-rosa com cadeadinho): “a arte é atemporal”. A inocentezeinha acredita que os meios, os veículos, a linguagem é que situam a arte no tempo, e não os acadêmicos, a indústria editorial, os raríssimos críticos, remunerados pela última. Santiago N concorda com Pollyanna: “Vivo em nosso tempo, escrevo em nosso tempo, mas não estou preocupado especificamente em falar deste tempo ou negá-lo”.

O resto da entrevista é bobagem. “Jovens talentos”, “jovens talentos universitários” e “jovens talentos blogueiros”, “jovens talentos transgressores” soa com o timbre do preconceito mencionado acima. Bobagem a entrevistadora perguntar se Santiago, autor estabelecido, deveria apontar novos talentos, talentos “potenciais”. Bobagem a resposta de Santiago, dizer que não porque precisa defender o seu gadinho letrado.

E Pollyanna Moça, apreensiva, me obrigou a refletir: seria eu um autor datado? Não seria transgressor, por ter quarenta e oito anos? Por pertencer a uma geração intermediária entre os “pré-anos 60” e pós-anos 80? Estaria fazendo literatura de gênero, literatura gay? Até perdi o sono...

sábado, 14 de agosto de 2010

Kurt Vonnegut, foto de algum lugar da web

Parágrafos do dia

"Eu costumava achar fácil e mesmo engraçado mentir com tanta elaboração. Não acho mais. E imagino agora se não desenvolvi esse hábito pernicioso muito jovem, porque meus pais eram tão embaraçosos, e especialmente minha mãe, que era tão gorda que podia ser uma atração de circo. Eu descrevia meus pais bem mais bonitos do que eram de verdade, de modo que as pessoas que nada sabiam sobre eles não tivessem má impressão de mim.

E durante meu último ano no Vietnã, quando estava no setor de Informação Pública, achei tão natural quanto respirar dizer para a imprensa e para as novas tropas que desciam dos aviões e dos barcos que estávamos sem dúvida ganhando, e que o pessoal em casa devia estar feliz e orgulhoso por tudo de bom que fazíamos ali.

Aprendi a mentir assim no colégio".

Kurt Vonnegut, de Hócus-Pócus

Ainda sobre os ventos que poderão vir


Trabalho da amiga Eiko Hanashiro, de 2007, refeito para Os ventos que...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Frase do dia

Au-au-au, hi-ó-hi-ó; miau-miau-miau, co-co-ró-có!

De Os Saltimbancos

Ventos que já se foram


Cenário de Os Saltimbancos, adaptação de Chico Buarque, direção de Marcelo Ferreira, com os alunos do Ginasiano Escola de Dança, em Vila Nova de Gaia, 2005. Sobre imagens de Tarsila, autorizadas.

As artes visuais

Ontem foi a abertura de Aos ventos que virão, uma das exposições comemorativas dos 50 anos de Brasília, na galeria mais chique do Planalto Central (segundo N, parece Londres). Título poético e irônico. 150 artistas da velhíssima, da velha, da anterior, da atual e da futura geração e suas performances, novas tecnologias, micro-instalações (a nova onda), fotografias, pinturas e desenhos (dizem que estes últimos também voltaram a ocupar o lugar que lhes era de direito). Até grafite grafitado ao vivo, por trás de um deslocado saxofonista assoprando Pixinguinha pra ninguém ouvir.

Tentei entender o motivo do meu nome não ter sido ventilado. Talvez por não ser simpático ao curador, de longas datas; talvez por desafeto da galerista; ou talvez por mero esquecimento dos pares. Mas pela primeira vez não fiquei chateado, não me importei de não participar daquilo. As artes visuais afastaram-se na razão direta da aproximação da palavra escrita...

A indiferença perdurou até a hora que entrei na segunda galeria: um galpão-revenda de carros com enormes plotagens nas paredes. Bem que podiam ter dependurado um dos meus telões-cenários portugueses (12x6 metros, ia arrasar!). Felizmente a tristeza passou rápido. Despedi dos amigos, comi uma pizza, bebi dois chopes com amores eternos e dormi embalado pela verborragia cortante de Kurt Vonnegut (Hócus-Pócus, de 1993) sobre um professor e veterano da Guerra do Vietnã, muitiiiiíssimo desagradável.

Que venham então os ventos, os tufões, que assomem os vendavais, as tempestades.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Frase do dia

Uivai, mancebos, e clamai, mocinhas, e rebolai-vos na cinza, porque já se cumpriram vossos dias, e eu vos quebrantarei.

Rubem Braga, de Ai de ti, Copacabana

Tietagem pos-mortem



Imagem copiada de mardeoutubro.blogspot.com. O fotografado faleceu em 1990.

Férias de 1 semana - parte final

Pouco a dizer sobre a Flip. Valeu pela companhia mais que maravilhosa, pela festa. Mas provavelmente só voltarei se for convidado, que ouçam e atendam os deuses. Muita gente enchendo suas sacolas autossustentáveis de livros e lembrancinhas, muita gente coletando os belos impressos grátis, nem tanta gente assim ouvindo as palestras dos monstros sagrados e dos candidatos. O resto era comer os doces e os salgados profanos da igreja do Carmo (R$ 2,50 cada), perambular pelas ruas à procura de Santiago (que acabei de ler no blog, só foi uma vez, em 2003), caminhar quase 1 km até a pousada pelo menos 2 vezes por dia.

De volta ao Rio, realizou-se a ansiada visita à cobertura de Rubem Braga. Totalmente inusitado, deve render pelo menos duas histórias novas. Quase cinco horas de um filme mix onde contracenaram personagens tão ou mais surreais e alucinados que qualquer Bruñuel, Almodóvar, Bigas Luna, Fellini e Pasolini, juntos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Saudosismo

Virou o tempo, vento frio no Arpoador. Penso na boca banguela de Lévi-Strauss cantada pelo Caetano antes dele ficar chato. É exagerado, o Rio é lindo. Só a neblina cinzenta nas pedras quase pretas. As mulheres pretas, os homens pretos, talvez de tanto ler sobre candomblé eu ainda enxergo aqui com os olhos do antropólogo, os carregadores nas esquinas, os quitutes, as mucamas, as ruas de Machado.

Daqui a pouco no ônibus pra Paraty. Mais para ver o movimento que assistir as palestras. Não rolou a visita à cobertura de Rubem Braga nem o chope no turístico Garota de Ipanema. Vi de longe o Drummond de bronze, melancólico, um Pixinguinha caricatural no Centro. Passeios de turista, doce sem-graça na Colombo, lindos surfistas de neoprene e silicone no Posto 9. Meus livros do segundo grau, mis recuerdos, ressuscitam a cada esquina.

domingo, 1 de agosto de 2010

Complexo Rubem Braga



As árvores, no prédio à direita

Férias

De férias rapidíssimas no Rio de Janeiro. Hospedado a casa de Z, ao lado do complexo Rubem Braga, em Ipanema, um elevador, escadas e mirante que dá acesso a uma parte do Cantagalo. Linda visão, as Cagarras na frente, de um lado a Lagoa, do outro Copacabana e ao fundo o paredão de pedra e concreto. O apartamento de Z é no prédio onde morou Rubem. Na cobertura. Tem coqueiro, mangueira, cajueiro, viverio de pássaros e, parece, de coelhos.

Ontem aprendi muito sobre ele, que só li basicamente na escola. É o escritor que mais falou sobre pássaros. Que Manoel de Barros declinou o convite dele para benzer a mangueira que não frutificava, por ser ateu. Z disse que amanhã a gente vai conhecer a cobertura.